Santa Elisabeth da Trindade - Vida

De uma personalidade cativante, alegre e determinada Elisabeth é um exemplo de pessoa que soube dominar seu temperamento difícil e muitas vezes explosivo.

 

elisabeth 009

 

 

Na manhã de 18 de julho de 1880, Elisabeth Catez nasce no campo militar de Avor, na pequena cidade de Farges-en-Septaine. O nascimento será difícil. A mãe sofre muito durante 36 horas. Será preciso sacrificar o bebê. Mais no final da missa rezada em sua intenção, a pequena Elisabeth vem ao mundo. “O bebê tem boa saúde, linda e esperta” – dizia senhora Catez. É batizada no dia 22 de julho, dia de santa Maria Madalena.

 

Elisabeth é do norte por parte de seu pai. Joseph Catez nasceu a 29 de maio de 1832 a Aire- sur-la- lys, quarto de uma familia de sete filhos. De uma familia muito pobre, ele vai construir sua vida com energia e perseverança que vai caracterizar tambem sua filha. Casado a um ano, ele tem 48 anos na época do nascimento de sua primeira filha. Do lado materno, ela é da região de Lorraine. Marie Rolland nasceu em Lunéville, no dia 30 de agosto de 1846. Senhora Catez é uma mulher sensível, de fácil trato, o que lhe dará muitos amigos.

 

 

 

elisabeth 010

 

A familia é transferida, em novembro de 1882; os Catez vão para Dijon. Lá, nascerá no dia 20 de fevereiro de 1883, Marguerite. A pequena Guite será doce, Sabeth será terrível! Mais ela tem um bom coração e ama muito seus pais. Sua irmã dirá de sua infância, ”ela era extremamente viva, terrível, geniosa, com acessos de raiva. ”

No dia 24 de janeiro de 1887 morre seu avô que morava com a familia. Oito meses depois, na manhã do dia 2 de outubro, depois de já ter tido várias crises cardíacas, morre de repente seu pai. Com a diminuição da pensão a familia é obrigada a se mudar. Da nova casa a pequena Elisabeth avista uma estranha construção em um jardim: o Carmelo.

elisabeth 011

 

O trio senhora Catez, Sabeth e Guite é bastante unido, mas não fechado. Elas têm vários amigos, viajam para vê-los e também a familia. Aos 8 anos, ela confidencia ao paroco de sua cidade a vontade de ser religiosa. Ele dirá: “Com tal temperamento, Elisabeth Catez vai se tornar ou uma santa ou um demônio! ”

Com o temperamento sempre dificil, com uma vontade de ferro, continua a ter seus ascessos de raiva e sua irmã lembra que sua mãe chegou a ameaçar de colocá-la como interna no “Bom Pastor”, uma casa de correção muito próxima.

Sem ser rica, senhora Catez tem uma boa situação para assegurar a formação de suas filhas. Aos 7anos Elisabeth recebe suas primeiras aulas de francês e aos 8, entra no conservatório de Dijon. Seus estudos não são diários, mas os exercícios de piano vêm em primeiro lugar. Todos os dias passava horas no piano. Muitas vezes participou de consertos. Seu talento precoce mereceu elogios no jornal local, e obteve o primeiro prêmio de piano do Conservatório.

 

 

O que ela chama de “conversão” se deu em sua primeira confissão, que deu origem a um verdadeiro despertar para as coisas divinas. Desde então resolveu lutar energicamente contra o seu defeito dominante, sem que esta aplicação de vencer-se alterasse a sua animação e alegria.

elisabeth 012

E ela promete a sua mãe por ocasiao da festa de fim de ano: ” Querida mãezinha eu quero te desejar um feliz ano novo e te prometer que terei um bom comportamento, serei obediente; não te deixarei mais nervosa, que eu não vou mais chorar, que eu serei um modelo mais você não vai acreditar. Eu farei o possível para cumprir minhas promessas para que eu não diga mentiras em minha carta, como eu digo algumas vezes. Eu queria escrever uma longa carta, mais agora eu não sei mais nada! Você verá mesmo, assim que eu me comportarei bem. Um beijo minha querida mãezinha. ”

Após sua primeira comunhão, no dia 18 de abril de 1891, lágrimas correm sobre o seu rosto, e ela diz a uma amiga: “não tenho fome, Jesus me alimentou”!

À tarde teve uma entrevista no Carmelo. Madre Maria de Jesus, que 8 anos mais tarde a receberia em seu Carmelo, disse-lhe o significado de seu nome, era a feliz pequena Casa de Deus. Esse pensamento muito a impressionou, então escreveu no verso de uma estampa:

“O teu nome revela o teu destino
Bendito ante os olhos de Deus;
Será o teu coração abrigo digno,
Casa de Deus, do Deus de Amor,”

 

Observa-se, então, seu notável progresso nas vias do dom de si mesma. Com toda a sua energia, ela aprende a se esquecer por Jesus e pelos outros. Seus acessos de cólera são dominados e vencidos em seu interior.

Aos 8 de junho ela recebe o Sacramento da Confirmação, na igreja de Nossa Senhora de Dijon.elisabeth 013

 

 

Quando tinha quatorze anos, um dia depois de ter comungado, sente o desejo de entregar toda a sua vida a Deus, e assim faz voto de virgindade perpétua. Um pouco mais tarde o projeto de vida religiosa se resume em uma palavra que ela escuta no fundo do coração: “Carmelo”.

Poucas das pessoas mais próximas se dão conta de que sua rica vitalidade é orientada para uma outra Vida, no interior.

Aos 18 anos, Elisabeth estuda também inglês e aprecia muito ainda as aulas de costura. Ela mesma fará suas roupas mais tarde, porque “gosta de se vestir bem”.

Aos 19 anos lê História de uma alma, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Teresa de Jesus, a exemplo de sua mãe, grande admiradora da Santa.

Mesmo seu coração já pertencendo ao Carmelo, e que sua mãe a empediu de ter contatos com as irmãs, temendo uma vocação religiosa, seu amor por Jesus, sua calorosa atenção aos outros e sua capacidade atração, fazem com que ela se destaque na sociedade em que vive.

Elisabeth continua a viajar para diversos lugares em casa de amigos e parentes, sem por isso deixar de pensar em Deus. É a alegria das amigas, admirada por elas, e ao mesmo tempo recolhida e silenciosa. Veste-se com elegância, e seus penteados são irrepreensíveis.

 

  

Seu dia a dia transcorre na normalidade. Dedica-se ao estudo, à catequese, cultiva o talento musical, controla seu caráter agressivo e adquire postura e serenidade. A vida interior, mediante a frequência dos sacramentos, a escuta da Palavra, a assídua oração de recolhimento e o serviço doado com amor, progride rapidamente e lhe assegura um invejável equilíbrio humano e espiritual.

Acompanhava regularmente os retiros pregados pelos Padres Jesuítas, e recebia com santa avidez e a doutrina luminosa dos exercícios, que deveria esclarecer e sustentar o trabalho de sua perfeição.

No dia 26 de março de 1899, Mme Catez consente finalmente que sua filha entre no Carmelo, mas somente quando completasse 21 anos, portanto, mais dois anos de espera. Cinco dias mais tarde, na sexta-feira santa, sua mãe recebe uma proposta de casamento para ela; partido este que jamais encontraria igual. Mas ela fica indiferente: seu coração não é livre, ele pertence à Jesus, seu único Amor.

 

elisabeth 014

 

Voltando às suas relações com o Carmelo de Dijon, que haviam sido proibidas por sua mãe, encontrou um sacerdote da Ordem de São Domingos, que exerceu em sua vida interior influência providencial. Esse sacerdote possuía um dom especial para falar da Santíssima Trindade. O nome de Elisabeth da Trindade acabou sendo para ela uma vocação, toda a sua vocação.

O tempo passa depressa. Elisabeth sofre por “fazer os outros sofrerem” (sua mãe e sua irmã). Na manhã do dia 2 de agosto de 1901, abriram-se as portas do Carmelo à feliz postulante. Depois da missa das 8h sua mãe a conduz na porta da clausura!

Elisabeth, desejosa de santidade desde o início, doa-se sem reserva a buscar a Deus dentro de si, em cada irmã, em cada gesto, em cada palavra. Percebe que não há alegria maior que ser fiel ao seu nome como lhe foi revelado “Elisabeth – Casa de Deus”. Assumira cada vez mais esta missão de sentir-se habitada plenamente pela Trindade Santa e de ajudar os outros a se tornar lugar preferido da morada de Deus.

 

 

elisabeth 015

 

Dia 08 de dezembro do mesmo ano, acontece a cerimônia de tomada de hábito. O noviciado de Elisabeth é um caminho duro, de sacrifício, e também de muita saudade e preocupação pela sua mãe, que nem sempre consegue aceitar a separação de sua filha. Nestas pequenas “noites”, encontra o apoio generoso de sua Madre Priora e Mestra, Madre Germana, que será uma verdadeira diretora espiritual, que a orienta nos caminhos do espírito e a introduz no mistério carmelitano. Não faltam na vida de Elisabeth sofrimentos, pequenos desentendimentos, coisas normais na vida comunitária.

É com uma fé pura, e depois de um ano de grande aflição, que ela faz sua profissão no dia 11 de janeiro 1903, no dia da Epifania do Senhor; a paz volta a sua alma...

“ Eu entendi que meu céu começava aqui na terra, o Céu através da fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo” (L 169)

 

 

elisabeth 016

Para adentrar em sua vida, conhecer a evolução espiritual e humana, temos entre seus escritos principais as cartas, que atualmente são 294, que ela escreve à sua familia, a seus amigos, à suas irmãs religiosas e também para alguns padres que fazem parte da sua história particular. As cartas mais importantes para conhecer a beata são as dos últimos 2 anos de sua vida, onde notamos um verdadeiro apostolado que ela exerce, pelo conteúdo, pela visão da vida, pela presença de Deus.

À medida que corriam os anos da vida religiosa, a alma sepultava-se cada vez mais na Trindade pacífica e pacificadora. O ritmo calmo desta vida espiritual é simples e reduz-se a alguns movimentos essenciais: guardar o silêncio e crer no Amor que está em nós, habitando no fundo de nossa alma.

A nossa querida irmã recuperou a bela paz de outrora; as doçuras espirituais não deveriam ser, porém, o estado habitual de sua alma, engrandecida pelas provações: é de fé que se deve viver.

 

São Paulo, que ela encontra então, torna-se o seu guia. E num período de licença (em que as irmãs podem entreter-se entre elas em suas celas, em assuntos espirituais) que, tratando do nome novo citado no Apocalipse, que descobre em sua epístola aos Efésios aquele que deveria dar um sentido definitivo à sua vida espiritual: “Deus criou-nos para louvor de sua glória”

Sua missão de “louvor de glória”: silêncio, despojamento absoluto, amor à Trindade, culto da vontade divina, identificação mais ardente com a alma de Cristo Crucificado.

elisabeth 017

 

No outono de 1904 é tempo muito importante para esta carmelita absorvida em Deus. Do dia 26 de sembro ao dia 05 de outubro ela faz seu retiro pessoal, 10 dias de solidão absoluta e de oração. Depois do 12 de novembro ao 21 ela faz um novo retiro, desta vez comunitario, pregado por um padre dominicano, e ao final deste retiro ela escreve sua famosa oração: “Ó meu Deus, Trindade que eu adoro ” (Elevação à Santíssima Trindade – como é mais conhecida) – Acho importante que se leia a oração completa.

O cansaço físico, que precedeu a doença que levara Elisabete à morte em 1906, começa a aparecer. Na primavera de 1905, ela recebe exceções na observção da regra. Na metade de agosto ela é dispensada do seu oficio de segunda porteira.

Em razão de sua grande coragem, não se percebe que seu estado de saúde começa se agravar. Mais tarde ela vai adimitir:“De manhã, depois da oração das horas menores, eu ja sentia exausta, e eu me perguntava como chegaria até a tarde. Madre, nunca pensei em lhe falar nisso; vossos cuidados e as exceções a que estive sujeita, ficando sem resultados, compreendiam claramente a vontade de Deus. Por outro lado, receava sempre, queixando-me, ouvir demasiadamente a natureza. Depois, o que poderíeis fazer por mim? Quando me mandava repousar eu não me sentia melhor, com muitas dores não encontrava posição e nem conseguia dormir, de sorte que não poderia dizer o que me trazia maior abatimento: se o dia ou a noite. A oração continuava a ser o meu melhor remédio. Passava o tempo do grande silêncio em uma verdadeira agonia, e assim me unia a meu Divino Mestre. ”

Antes do fim de março de 1906, Elisabeth entra definitivamente na enfermaria do Carmelo. O enfraquecimento progressivo dos últimos meses a confirma num esgotamento total. Alimenta-se sempre com maior dificuldade. Na noite 8 de abril, uma síncope agrava ainda mais o seu estado de saude. “ Na noite do domingo de Ramos, tive uma forte crise e acreditei que minha hora em fim tinha chegado, para contemplar sem nenhum véu a Santa Trindade, que foi minha morada na terra. Na calma e no silêncio da noite eu recebi a unção dos infermos, e a visita de meu Mestre. ” (Carta 278)

 

 

 

Toda a Semana Santa é muito dificil, e seu esgotamento é extremo na sexta-feira Santa. No Sábado Santo ela tem uma melhora sensivel, mas as irmãs não fazem tem mais ilusão no que diz respeito a uma possivel cura, senão por um milagre, que elas pedem.

Sem dúvida após uma tuberculose, Elisabeth sofre da doença de Addison, também conhecida como insuficiência adrenal crônica, na época sem cura, nome dado à condição em que as glândulas suprarrenais (também chamadas de glândulas adrenais) não são capazes de produzir quantidades suficientes de seus hormônios; por causa disso tem fadiga crônica, dificuldade em ficar em pé, febre, perda de peso, náuseas e vômitos, diarreia, pressão baixa, dor de cabeça, irritação nos olhos, pouco açúcar no sangue, tetania, praticamente impossibilidade de comer, dificuldade para respirar devido a lesões no pulmão, problemas gastrointestinais com fortes dores abdominais, escurecimento da pele. Tudo isso foi a causa de sua morte. Sobre este estado geral ainda teve complicações como ulceras interiores, violentas dores de cabeça e insônia, e a medida que se aproxima a sua morte esses sintomas se manifestavam com violência.

elisabeth 018

 

 

Na primeira metade de agosto, Elisabeth pede um retiro, um verdadeiro tratado espiritual, onde coloca no papel por estímulo de sua Madre Priora. Ela se encontra cada vez mais fraca e fragilizada. A doença avança terrivelmente no seu corpo e destrói a sua resistência. Porém não se entrega, e busca com maior intensidade o seu desejo de ver a Deus. Será neste retiro que ela formula o hino de uma alma “louvor de glória”. Dirá que deve ser uma alma de silêncio, capaz de sofrer, toda recolhida, toda mergulhada no divino. Na meditação, leva a dar uma resposta na fé perceber que é possível encontrar o céu na terra.

No dia 15 de setembro, festa de Nossa Senhora das Dores, começará os seus exercícios espirituais. Será chamado “Último Retiro”, pois realmente é o seu último. São breves meditações sobre temas variados de espiritualidade, sempre fundamentados em versículos bíblicos ou sobre a doutrina de São João da Cruz. Mais uma vez coloca no papel, a pedido de Madre Germana. Tem uma caligrafia trêmula, própria de quem se esforça para escrever. Esse texto apresenta todo o valor do sofrimento que deve ser aceito como dom de Deus

No dia 30 de outubro de 1906, Elisabeth coloca sobre o seu peito o santinho de sua profissão e diz: “ Nós nos amamos tanto! ”, seu corpo não resiste mais, a noite sente um grande tremor em todo corpo.

 

 

 

No dia seguinte recebe pela segunda vez a Unção dos Enfermos e a Comunhão. No dia de Todos os Santos ela comunga pela ultima vez. Por volta de 10h todos acreditam que é chegada a hora de sua morte. A comunidade se reune em torno dela e reza a oração dos mortos. Elisabeth sai de sua prostação e pede perdão às sua irmãs. As irmãs pedem para que ela fale alguma coisa e ela diz: ” Tudo passa, no fim da vida so o amor permanece, temos que fazer tudo por amor, precisams nos esquecer sempre, Deus ama tanto quando nos nos esquecemos... ah! Se eu tivesse feito sempre isso...”

Nos dias seguintes ela guarda a lucidez, mas seus olhos injetados de sangue estão quase que constantemente fechados. Por vezes ainda fala.

Nos dias 7 e 8 de novembro ela guarda constantemente o silêncio. Compreende-se ainda estas palavras: “Eu vou à Luz, ao Amor, à Vida! ...”. São suas últimas palavras que se pode compreender.

Na noite do 8 para o 9 de novembro sua situação é penosíssima. Ao seus outros sofrimentos se acrescenta a asfixia. A alteração de seus traços demonstra que ela está prestes a morrer. A comunidade é chamada. Rodeada pela Priora e suas irmãs em prece, esperava calma e silenciosa a vinda do Celeste Esposo. Seus olhos são agora grandes, abertos e luminosos. Nessa atitude radiante, sem que se perceba, ela para de respirar. Era por volta de seis horas e quinze minutos.

As feições da angélica menina, profundamente alteradas, revelam o seu martírio. Por seu Deus “esgotara toda a sua substância” e foi transformada na imagem de Jesus Crucificado: estava realizado o seu sonho.

“Não desejo somente morrer pura como um anjo, mas transformada em Jesus Crucificado. ”

elisabeth 019

 


 

Especial Santa Elisabeth da Trindade

Contato

Endereço:
Rua Joaquim Nabuco, 1008 - Brooklin - São Paulo-SP
Tel:
(11) 5044-3664
Site:
www.carmelitasmensageiras.org.br
Email:
contato@carmelitasmensageiras.org.br

Pedido de Oração